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quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

freio de mão

são paulo, aeroporto de guarulhos, chekin-in da TAM, 19 de dezembro de 2007, 19:43.

atendente: a senhora poderia deixar um telefone para contato?

marlene: 38 71 05 40, são paulo.

atendente: esse número é de quem?

marlene: é meu mesmo.

atendendente: não pode, senhora. tem que ser de um parente ou de um conhecido.

marlene: por que?
malcolm: porque o avião vai cair, marlene. eles precisam contar a novidade pra alguém.

atendente (irritada): não, não senhor. o avião não vai cair.

malcolm (para marlene): como é que ela sabe? os pilotos da TAM aprenderam pelo menos a puxar o freio de mão?

marelene (constrangida): é 38 45 73 21.

atendente: por gentileza, de quem é o número?

marlene: põe ai, maíra.

atendente: pode passar a bagagem. o senhor pode deixar um telefone para contato?
malcolm: pode ser o número dela?
atendente: ....
malcolm: marlene, qual é o teu número?

sábado, 15 de dezembro de 2007

a decisão

malcolm: a gente precisa conversar.

malcolm: qual é o problema dessa vez?

jung: eu posso dar uma sugestão?

malcom: não.

malcolm: não.

malcolm: continuando, tu tens que te decidir de uma vez por todas: ou eu, ou o rivotril.

malcolm: bem, tu queres que eu te ajude a procurar um apartamento?

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

insônia

malcolm: e ai? o que andas fazendo?

malcolm: o que é que tu queres ouvir?

malcolm: hein?

malcolm: o que é que tu queres ouvir?

malcolm: como assim? eu só perguntei o que tu andas fazendo.

malcolm: eu sei. eu percebi. afinal, o que é que tu queres ouvir?

malcolm: nada. esquece.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

o plano imaterial

celeuma extraída dos comentários da postagem vegetarianos:

lucy: talvez não seja pelo peso que eles meçam a importância do animal, mas pela presença do sistema nervoso. os vegetarianos pensam que quem tem cérebro sofre e sente dor na hora do abate. eles sentem pena, aí se recusam a comer. se as micro-vacas tivessem cérebro, aí talvez eles parassem de comer maçãs - de comer qualquer coisa, na verdade. se alimentariam de amor, virariam espíritos de luz e iriam pro plano imaterial, que é o lugar deles.

malcolm: lucy, esqueceste do carlton, que comprovadamente tem vitamina c. como eles não gostam muito de mastigar, fumar não seria má alternativa ...

lucy: mas o carlton também possui micro-vacas pastando mais de 4.700 substâncias. e se eles não gostam de mastigar vacas, imagina carbonizá-las! pra eles, fumar um cigarro seria o mesmo que fazer um churrasco microscópico. creio que não aceitariam a alternativa alimentícia.

malcolm: é lucy, tenho que admitir que tu tens razão. eles não têm jeito mesmo.

o cérebro

I
marlene: não sei porque me lembrei de uma notícia de uma menina que nasceu sem cérebro. esses bebês geralmente morrem em duas semanas. só que a menina tá há nove meses viva. além disso, tá sendo usada como bandeira de luta pelos que são contrários ao aborto. agora, a menina não vê, não ouve, não fala, não sente dor, nem sabor, nem nada. pra que isso?!

malcolm: não tem ninguém lá dentro, né? então, ela é simplesmente um amontoado de pedaços de carne, com sangue em circulação por eles. o que eles querem com ela? esperar ela crescer e depois casar e ter filhos, como todo mundo? provavelmente os que estão defendendo essa garota nasceram sem cérebro também.
II
marlene: agora a igreja já tá dizendo que é um milagre ela estar viva. um sinal divino pra alertar a humanidade. mas alertar o que? que somos todos estúpidos e inviáveis? isso já é óbvio.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

regras

malcolm: ok. entendi. mas então o que pode e o que não pode?

marlene: atum com batata pode. não pode é batata com macaxeira. nem atum com picanha. e jiló não pode nem sozinho.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

alquimia

malcolm: mas culinária é uma espécie de magia!

marlene: sim, culinária é mágica. sem contar que tem a metáfora com o caldeirão da bruxa, as porções mágicas, a alquimia de transformar porco morto e leite em molho à carbonara.

alta culinária

malcolm: a primeira coisa que eu pensei em me tornar quando criança era mágico. já imaginaste? na minha cabeça era tudo uma questão de dizer três ou quatro palavras estranhas, e, depois de uma pequena explosão, a torre eiffel apareceria na minha frente.
marlene: eu pensava em ser tanta coisa. chef de cozinha, astronauta, empregada doméstica ...

malcolm: mas tu ainda tens tempo de aprender os segredos da alta culinária comigo.

marlene: é malcolm, acho que tu ainda não desististe do teu sonho de ser mágico.

sábado, 27 de outubro de 2007

girafas

malcolm: vacas pastam grama mesmo?

marlene: sim. vacas pastam a grama. girafas é que pastam as árvores.

malcolm: que eu saiba vacas pastam o pasto.

marlene: e o pasto é feito de quê? de flores? de pedras? de sorvete?

malcolm: que eu saiba o pasto é feito de cogumelos.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

judeus

malcolm: sim. concordo com você. judeus têm mesmo uma coisa de se ajudarem. no século I, por exemplo, ajudaram jesus a reencontrar o seu pai. se gugu liberato estivesse por lá, cobriria o evento e todo mundo ia ficar emocionando acompanhando tudo pela televisão.

marlene: mas também jesus vacilou. foi ingênuo. como todo filhinho de papai.