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quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

profissões

a maior frustração de minha infância não foi descobrir que papai noel não existe - pra mim isso era óbvio -, mas que mágicos não eram mágicos de fato, e sim, espécies de estelionatários. eu não sabia exatamente o que eram estelionatários, no entanto tinha uma vaga impressão de que eles não eram super-heróis como o pato donald. depois disso, fui informado que engenheiros eram melhores do que mágicos, porque além de existirem de fato, e não serem foras-da-lei como os estelionatários, podiam construir qualquer coisa que quisessem. dessa forma, eu obteria tudo o que desejasse: automóveis, espaçonaves, bombas atômicas, e, sobretudo, brinquedos. algum tempo depois, vieram as garotas, a adolescência, o movimento estudantil, as ciências econômicas (depois as sociais e a antropologia), e um certo descontentamento familiar por eu não ter me tornado um engenheiro civil ou, pelo menos, um super-herói.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

psicodélicos

quando biólogos estão entediados, ficam procurando idéias espalhafatosas para passar o tempo e ter o que contar à família na hora do jantar. em 1962, para inveja do doutor timothy leary, um pesquisador injetou no elefante tusko uma dose de LSD três mil vezes maior do que a usada para fins recreativos. tusko, num profundo exercício de introspecção mística, tombou, soltou alguns grunhidos e morreu em menos de uma hora. uma autêntica bad trip. o mais curioso de tudo foi a conclusão da pesquisa: elefantes são animais muitos sensíveis ao uso do LSD.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

ilusionistas

david coperfield e david blaine podem falar o que quiserem, mas jesus cristo era muito mais talentoso do que eles. o espetáculo da multiplicação dos pães era sensacional. e o que dizer do número da transformação da água em vodka?

síndrome das pernas inquietas

eu não sofro de praticidade, mas segundo a organização mundial de saúde a ausência deste distúrbio pode provocar a doença mental conhecida como “síndrome das pernas inquietas”. só o nome da enfermidade já deixaria escritores como edgar alan poe cheios de imaginações literárias. como medida preventiva, na próxima segunda-feira estarei providenciando paletó e gravata pra entrar numa academia de ambicionismo.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

audiência

depois de ler que na batalha sangrenta do último domingo o pica-pau venceu a rede globo de televisão e que um automóvel atropelou o cachorro de suzana vieira, pensei que ia morrer de tédio até que alguma reportagem realmente me chamasse a atenção. mas eis que a BBC noticia que o dr. albert hofmann foi eleito, pela global synectics, juntamente com tim bernes-lee, o maior gênio aindo vivo. a lista, formada por 100 personalidades, levou em conta fatores como aclamação popular, poder intelectual, realizações e importância cultural para eleger os vencedores. hofmann ficou à frente de gente como nelson mandela, steven hawking, garry kasparov, dalai lama, entre tantos outros. de um modo geral, a lista não me surpreendeu. o que achei injusto foi a ausência nela do cachorro de suzana vieira.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

vegetarianos

eu não tenho nada contra quem não come carne, desde que eles não venham pra cima de mim empunhando bandeiras e cartazes. o detalhe é que existem animais microscópicos que eles comem sem saber, por exemplo, quando saboreiam inocentemente uma maçã. é verdade, eles não têm sangue, pulmão ou sindicato, mas são animais. e os vegetarianos os comem sem constrangimentos. então, não me venham com essa historieta de bondade e amor ao próximo. a vaca é uma só; numa maçã existem milhares delas pastando grama vermelha. ou é pelo peso que a gente mede a importância do animal?

evolucionistas

os antropólogos evolucionistas acreditavam no que eles chamavam de “unidade psíquica da humanidade”. em outras palavras, se temos o mesmo cérebro as repostas dadas ao meio tendem a ser semelhantes. dessa forma, as sociedades passariam por estágios sucessivos idênticos até atingirem o nível máximo de evolução cultural. no primeiro estágio tínhamos os selvagens (considerados seres quase sem cultura); no segundo estágio vinham os bárbaros (aqueles dos tacapes e dos casacos de pele); e no fim da história surgiam deslumbradas patricinhas com seus telefones celulares fabricados no japão.

scrap à marlene dietrich.
25.X.07

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

slogan

em “investigações filosóficas” wittgenstein afirma que o “significado de uma palavra é a sua utilização na linguagem”. tese controvertida. na última quinta-feira, em entrevista ao diário catarinense, um estelionatário nos mostra como isso funciona na prática:


repórter: vocês estão em quantos ai?

golpista: nós estamos aqui em seis.

repórter: vocês estão em um presídio?

golpista: é. estamos. nesse local ai mesmo. na faculdade mesmo.

repórter: só no mesmo presídio são vários golpes aplicados?

golpista: aqui comigo, na empresa, só tem eu. aqui tem outra empresa que tem dois. é tudo na mesma galeria. tudo no mesmo slogan.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

crianças remelentas

sim, eu sei, mas as crianças remelentas tem que aprender primeiramente o que é um livro. elas não tem a mínima noção do que se trata. e não estou falando da construção de fronteiras culturais, de pose de enciclopedista, ou dos óculos e das longas barbas da arrogância; mas do cantar suave das fotografias. todo mundo gosta de ler, como todo mundo gosta de conversar. isso é muito claro pra mim. o problema é que elas não sabem nem que livros são escritos por pessoas. durante a graduação eu ouvia coisas do tipo "na apostila da professora fátima tem uma parte que diz" ... um curso de sociologia, e "o capital" de karl marx passa a ser a apostila da professora fátima!
scrap a simone de beavoir.
s/d

segunda-feira, 9 de julho de 2007

o pará para os paraenses: nota sobre a máfia do tacacá

"os baianos invadiram o rio para cantar 'ó que saudade da bahia...'. bem, se é por falta de adeus, pt saudações."
paulo francis

recentemente fui acusado por dois paraenses xiitas de ter sido negligente com o que eles alegam ser a cultura paraense. cada um a seu modo. cada um com seus tiques. cada um com o seu arsenal de asneiras. o fato é que preferir peter murphy a nilson chaves, ou lou reed a chimbinha, não é exatamente o projeto mais ambicioso de um paraense não-praticante, mas uma dissertação sobre as qualidades terapêuticas do tacacá. não entendo como coisas desse tipo possam ser tão difíceis de entender. e lhes pergunto: fora a institucionalização do gosto, foras amarras do regionalismo, fora os heróicos brados retumbantes, de quantas novas prisões necessito pra me sentir civilizado? fico aguardando o menu completo, ávido para participar da brincadeira. e, se isso lhes serve de consolo, deixo aqui registrado que acredito no pará. de coração. acredito no pará, como acredito no brasil. aliás, como todo bom patriota, estou até acompanhando a copa américa. devo admitir, é verdade, que quando robinho fez o terceiro gol contra o chile desliguei a tv desesperançoso. na próxima quarta-feira, espero que o uruguai possa trazer meu bom humor de volta.